Vem, anda comigo pelo planeta! Vamos sumir!!! Vitor Ramil

domingo, 9 de janeiro de 2011

Capinar...




No Natal do ano retrasado ganhei um livro da Carla (na real não lembro se foi mesmo de Natal ou foi de aniversário...) e na dedicatória dizia assim: "...já que te interessas por literatura e culinária". O livro Sob o sol da Toscana, que dizem ter também um filme (que eu nunca procurei, não imagino muito como deva ser...), que eu li com bastante entusiasmo, além de me deixar com água na boca, veio num momento em que eu estudava na pós a importância das pequenas coisas... Bauman falando da sociedade de consumo e eu não entendendo pq gosto tnto de comprar e comer McDonald's... Não deixei de fazer nada disso, mas penso no que faço. E, entre outras coisas, o livro me reforçou uma vontade mais antiga de buscar certa identidade. Vou explicar.
No orkut do meu vizinho, pessoa que admiro muito, mesmo sem ter muita proximidade, dizia naquela parte do "quem sou eu": Colono vítima do êxodo rural. É bárbaro, Tiarles! Nós devíamos estar na lavoura... Por algum motivo nossos pais abandoram essa sina e nós estamos na cidade. Pero no mucho. Afinal, estamos em Morro Redondo, lugar que eu amo, porém não exatamente uma cidade... Hehe! Me visto, sinto, ando, como, muito mais como pessoas da cidadem nas quando estou na "cidade" (hehe, lembrei da vó Lili e outros tantos que volta e meia tem que ir para a "cidade" pagar alguma coisa ou "fazer rancho"!!!), não estou totalmente em casa... No apartamento que moro em Pelotas sinto falta do sol que posso pegar aqui em Morro Redondo, na escola que trabalho em Pelotas sinto falta das conversas sobre o pêssego que ouço aqui e ali na Maciel (ah, se eu puder sempre trabalhar ali...), no centro, é bom passear, comprar, mas cansa pra caramba e eu não gosto de passar ali todo dia... Isso só falando de Pelotas como cidade... E quando vou para outros lugares, então! A boca aberta para ver o avião passar, a procura por um lugar silencioso... Amo viajar e passar um tempo fora, principalmente com a família, mas tirar os chinelos e pisar com o pé no chão aqui em Morro Redondo é especial!
E o livro da Carla, juntamente com as conversas com a Mirela e o pessoal do Nutree, as leituras de Duarte Júnior e a vontade de chegar mais perto das minhas raízes me fizeram convencer a mãe a plantarmos uma horta! Eu queria só coisas boas, temperos, uma alface quem sabe... Mas o vô Rodolfo já mandou plantar couve, repolho e tudo mais... Hehehe, tudo bem, tem espaço pra tudo!
Da horta, tive que pedir ajuda pra minha mãe pq não entendo absolutamente nada! Se é uma coisa que nós plantamos ou uma sujeira que tá nascendo, qual a época de plantar, quanto molhar... Pô, definitivamente não sou da cidade, mas da colonia é que eu não sou!!! Bom, estou tentando aparender um pouco!
Ontem capinei a horta. Tô com bolha na mão, é claro!!! Hehehe! Arranquei um Maxixe que eu havia plantado, deu quatro vidros de compota! Só que o pé tava tomando conta de tudo... Verdadeira praga! Agora voltei aos temperos... Recorro ao livro para ver mais ou menos como usá-los... Quem sabe rola uma pizza de rúcula, com tomilho, mangericão, orégano... Ou uma macarronada caseira com alguns temperinhos...

4 comentários:

Quetelim Andreoli disse...

"Tô com bolha na mão, é claro!!"
eu ri qndo li isso..

não tnho vontade de ter uma horta,hehe(plantei uma parreira ano passado, serve? :P), mas compartilho de gostar bastante da pequena city, de como me sinto qndo estou nela e também acho que não faço o perfil "menininha do interior".

acho que é isso!
achei teu blog justo pelos blogs que o Tiarles segue..
até..

Rutinha disse...

Essa é boa!!!!!

Tiarles M. Rodeghiero disse...

Se não me engano tua mãe foi umas das professoras que me ensinou sobre a tal "globalização", que eu pensava ser uma coisa legal, na época, mas que descobri ter sido um dos fenômenos decisivos para correr nossos antigos familiares minifundiários da terrinha... Eles deixaram a terrinha pela vila, nós trocamos a vila pela "cidade"(heheheh)... Acho que o nosso "gostar" do Morro é mais instintivo e automático do que eu gostaria. Penso que apreciamos estar em Morredondo City por que crescemos lá e temos uma porção de lembranças boas, mas não acho isso muito verdadeiro, infelizmente.

Porém, acho a horta um meio muito humilde e divertido de tentarmos nos aproximar dessas coisas tão ricas que desconhecemos. Coisa boa capinar com a mãe ou o pai do lado, dizendo:"- Não é assim, guri, desse jeito tu vai ficar todo torto!!!".

No mais, eu queria dizer que fui o engenheiro chefe na construção da cerca da horta lá de casa, e espero que isso conte! Hahahahah

E também ganhei uma bolha... Uma bolha de cabo de enxada que parecia uma medalhinha irônica de premiação pelas "Mãos de cinderela", mas, mesmo assim, fiquei tri contente com a obra! =]

Até mais e boa colheita!

traud disse...

vitima do êxodo rural morando lá,bem interessante, quero voltar a ter lavouva,mas sempre tivemos temperos e tal.....esse ano a esperiencia com milho foi vergonhosa. mas quem tem sangue na terra nunca esquece. saber que vc fez uma horta foi uma notícia maravinhosa para mim. aproveita e bota a idéia na cabeça da minha filha, pq aqui é quase nula. bjos